Sempre estas coisas de liberdade…
Setembro 1st, 2008
Bom, faz muito tempo que não jogo umas linhas aqui, mas sempre acabam aparecendo estas questões de liberdade para me forçar a voltar.
Honestamente, não tenho muito apreço pela nossa Carta Política, em verdade, quase nenhum. Acredito, diferente do que a maioria, que ela não é resultado de inúmeras demandas sociais reprimidas durante anos de ditadura, mas sim um monte de garantias que satisfizeram, por um lado, a necessidade de uma imensidão de políticos para se tornarem “donos” ou “pais” de alguns direitos e, por outro, uma necessidade ainda maior que é a de modelar a vida das pessoas, de um povo fraco que não saberia pelo que lutar, ou para onde correr, após perder as amarras de um longo período de repressão.
Sim, um povo fraco, um povo que não conquistou sua independência, que pagou um preço caro por sua alforria; que sequer chutou a bunda dos militares para fora do poder, que, no entanto, esperou que estes cansassem de brincar, que desistissem diante da visão clara dos rumos que seguia o barco de que detinham o leme.
De novo, eu realmente não gosto da Constituição e como liberal que sou hoje, mais pelo que ela garante e menos por alguma omissão, pois a verdade é que nela o Estado, ou seja, um bando de burocratas pagos por todos nós, só não garante a limpeza do seu traseiro após uma diarréia violenta.
Ocorre, todavia, que ela representa algo muito maior do que um decreto feito ao final da tarde em uma sexta, com o chefe do executivo de saco cheio. Ela não é uma lista de proibições que o teu síndico resolveu criar.
A Carta representa um acordo, (que em nosso país se modificou diversas vezes) sobre o que desejamos uns dos outros, sobre o que podemos esperar de nossos governos e governantes. Em suma, quais os pilares que orientam nossa organização social.
Nosso presidente, constituinte que foi, tem em grande parte responsabilidade pelo que nela consta e assim, a despeito de sua notória dificuldade com a língua materna, deveria ter algum conhecimento dela.
E que não me digam que o afastamento temporário é algo que valha. Se o chefe da Agência Brasileira de Inteligência não consegue responder de forma rápida o que diabos está acontecendo, por que ele não vai procurar um emprego mais de acordo com suas capacidades intelectuais/gerenciais?
A tragédia é que existem duas respostas possíveis, ou estamos a mercê de bandidos que vão se livrar rápido é das acusações, ou de um bando de incompetentes na qual impera aquele paradoxo do Setor Público/Setor Privado, onde neste, se você não fizer o serviço direito, quebra ou perde o emprego, pois alguém vai dar conta do recado, mas no outro quando algo dá errado é falta de verba e pessoal, logo, para aumentar sua importância é preciso errar, errar feio e de forma contínua.
Voltando ao chefe do executivo, se a ninguém é dado o direito de alegar o desconhecimento da lei, cabe uma especial ressalva a este senhor, valendo lembrar mais uma vez que a Constituição não lhe pertence e à sua função sequer é dado o direito de lhe modificar e, portanto, como conclusão lógica, que deve ser outra dificuldade desta criatura, muito menos de rasgá-la.
Para finalizar, me incomoda ter que dar o discurso de salvem a Constituição, pois isso é para advogados/juristas e outros tipos de demagogos; porém, nestes negros tempos que vivemos cabe a cada um gritar pelo pouco que nos afasta do retrocesso.
Assim, se for para desrespeitar a constituição de forma tão flagrante, vamos modificá-la, adaptando-a aos novos tempos e fazendo este país ir para frente sem os malditos dois passos para trás…
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