Será que Vale tudo isso?

Setembro 9th, 2007

Passada a semana do tal plebiscito, acredito que sejam necessárias algumas considerações por parte de qualquer ser que habite a terrinha:

Quem gere melhor uma empresa, o Estado ou a iniciativa privada?

Houve fraude na privatização da Vale? Se houve, quem foi o agente da fraude: o Estado ou a iniciativa privada?

Por que ainda temos essa maldita cultura comuna, em que o capital privado é um monstro e o Estado é o redentor?

 

Tentando responder essas perguntas, comecemos pelo quesito melhor gerenciamento*. Eu poderia sugerir um pequeno estudo sobre a reforma econômica chinesa, pois não há outro exemplo tão claro de que a diminuição da política na economia seja o saída para problemas de eficiência.

 

Claro que algum comunista um pouco mais instruí­do (!?) poderia me contestar com o bom argumento de que a China passou a crescer em meados dos anos 50, graças a tomada de poder deles e, principalmente, pela formação de um Estado forte. E sim, a afirmativa esta correta, pois de fato o crescimento antes negativo torna-se positivo em uma méia de 5% anuais. Porém, a partir da abertura e desestatização esse patamar se eleva para algo entre 7%-10%. Assim, ponto para a iniciativa privada.

 

Quanto a fraude da privatização, também acredito que nem tudo foi perfeito. O preço pago pela CVRD foi muito baixo e aí­ sempre tem a contestação dos pró-privatização, de que a compra das empresas deveria tornar-se atratativa. Ora, uma empresa como a Vale, independente de qualquer mau gerenciamento anterior, seria economicamente viável com um preço de pelo menos três ou quatro vezes maior (e não calculei, essa parte é um chute, mas me parece um belo chute), mas isso é motivo para reverter a privatização? Não! Querem fuxicar no infuxicável? Vão responsabilizar as pessoas que não administraram corretamente o patrimônio púlico, aquelas mesmas que poderão fazer tudo de novo, e bem pior, caso se retorne a empresa ao Estado.

 

Ah! e por que diabos essa cultura? Aquela pergunta a que me referi antes me parece mais um sintoma do que a própria doença. Me parece que no Brasil batalhamos não para sermos melhores, mas sim pelo direito de sermos medíocres. Aqui não vale o cálculo básico do capitalismo do século XXI:

 

 

Lucro + Responsabilidade Social = Conduta desejável.

Por essas bandas a equação é basicamente esta:

Lucro baixo + Pequena Empresa = Conduta aceitável

 

Traduzindo, não importa se você retribua de alguma forma para a sociedade, o importante é que você não ganhe muito dinheiro, não cresça, não se internacionalize. Na lógica vigente da Vale ocorre o seguinte, preferível ser uma empresa pública, lucrando menos e virando cabide de empregos e fonte de recursos para políticos corruptos (ou será que não existe isso aqui?) a ser efeciente, lucrar absurdos e ter ações de responsabilidade social com bala na agulha para tanto.

Concluindo, se dermos um passo para trás e observarmos o cenário nacional, seria fácil perceber que não fosse na terrinha estarí­amos agora brigando pela não prorrogação da CPMF, que pelas contas do governo irá nos achacar em cerca de R$ 39 bilhões no próximo ano (e que se pretende manter até o primeiro ano do governo seguinte) e não discutindo algo já morto, sepultado e com missa de sétimo dia (e ano)…

*Algo assim, me remete direto ao último parágrafo deste post.

Entry Filed under: Sem Categoria

Leave a Comment

Required

Required, hidden

Some HTML allowed:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed